caua_reimond
FESTIVAL DE BRASÍLIA TERÁ ABERTURA COM NÃO DEVORE MEU CORAÇÃO, COM CAUÃ REYMOND
Share Button

13/09/2017 – 7:18 – Rodrigo Fonseca

Prestes a assumir um papel central em Ilha de Ferro, futura série da TV Globo, e de ser o protagonista em longa-metragem sobre Dom Pedro I, o galã mais inquieto da televisão brasileira, Cauã Reymond, assume a tarefa de inaugurar, nesta sexta-feira, a 50ª edição do Festival de Brasília. O evento, símbolo de autoralidade e de linguagens de exceção no audiovisual, inicia suas atividades na garupa do faroeste metafísico Não Devore Meu Coração!, no qual Cauã assume papel de destaque, além de receber um crédito de produtor. O filme abriu sua carreira pelo exterior, primeiro nos EUA, em Sundance, em janeiro, quando a nada convencional e pouco realista fotografia de Glauco Firpo foi um ímã de elogios. Seguiu de lá diretamente para a Europa, indo ao Festival de Berlim, com o título gringo de Don’t Swallow My Heart, Alligator Girl!, num retrato fabular, mas doído, de nossa região Centro-Oeste.

Até filmar na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, nunca tinha provado da sensação de perceber que uma metade de uma geografia é minha e a segunda metade pertence ao… Outro, um outro que não conheço”, diz Cauã ao Omelete. “Esse processo me enriqueceu muito por mostrar o que se passa nessa fronteira e por me preparar pra ela. Eu morava nos EUA na época do 11 de Setembro e pude provar do gostinho da xenofobia… de ser o Outro, que é o nosso debate aqui”.

Mais fabular (e mais virulento) de todos os mergulhos recentes do cinema nacional do Centro-Oeste, com um roteiro lotado de falas poéticas, o filme do carioca Felipe Bragança (de A Alegria) é uma mistura de Meu Primeiro Amor com O Selvagem da Motocicleta, temperado a litros de catuaba. Numa reinvenção de seu arquétipo de galã, Cauã, atual astro rei da TV brasileira, vive o motociclista Fernando, também chamado de Dezembro. É o integrante mais explosivo de uma gangue na zona limítrofe entre terras paraguaias e brasileiras.

Fernando quer o que é do outro, dos índios. Filmei ele de cabeça raspada, pra dar uma aparência de rebeldia. Mas foi um crítico estrangeiro, lá em Sundance, que me deu a melhor definição para esse personagem. Ao fim de sua sessão lá, ele me disse que eu havia construído uma pessoa que queria ser amado por todos e essa necessidade é o que leva ele à tragédia. O trágico nele é a necessidade de preencher a expectativa do próximo”, diz Cauã.

Na trama baseada em contos de Joca Reiners Terron, o foco é o jovem de 13 anos João Joca Carlos (Eduardo Macedo), irmão de Fernando. O garoto é apaixonado por uma menina índia, por quem é capaz de tudo, sobretudo depois que encontra uma espada da Guerra do Paraguai. “Na direção, o Bragança trabalha o lugar do invisível, na absoluta intuição, aberto a trocas conosco, abrindo-se a sugestões.

Cada nova ideia que levávamos a ele abria uma camada de discussão”, diz Cauã, que atribui o desejo de produzir a seu amadurecimento. “Tenho o desejo de ser mais participativo nos filmes que faço, agindo da execução no set à finalização e comemoro quando uma sugestão minha é abraçada. Produzir veio da experiência de prestar mais atenção no talento dos colegas do que no meu”.

Eis a lista integral de concorrentes de Brasília em 2017:

Mostra competitiva de longa-metragem

  • ARÁBIA, de Affonso Uchoa e João Dumans, MG
  • CAFÉ COM CANELA, de Ary Rosa e Glenda Nicácio, BA
  • CONSTRUINDO PONTES, de Heloisa Passos, PR
  • ERA UMA VEZ BRASÍLIA, de Adirley Queirós, DF
  • MÚSICA PARA QUANDO AS LUZES SE APAGAM, de Ismael Cannepele, RS
  • O NÓ DO DIABO, de Ramon Porto Mota, Gabriel Martins, Ian Abé, Jhesus Tribuzi , PB
  • PENDULAR, de Julia Murat, RJ
  • POR TRÁS DA LINHA DE ESCUDOS, de Marcelo Pedroso, PE
  • VAZANTE, de Daniela Thomas, SP

Mostra competitiva de curta-metragem

  • A PASSAGEM DO COMETA, Juliana Rojas, SP
  • AS MELHORES NOITES DE VERONI, Ulisses Arthur, AL
  • BAUNILHA, Leo Tabosa, PE
  • CARNEIRO DE OURO, Dácia Ibiapina, DF
  • CHICO, Irmãos Carvalho, RJ
  • INOCENTES, Douglas Soares, RJ
  • MAMATA, Marcus Curvelo , BA
  • NADA, Gabriel Martins , MG
  • O PEIXE, Jonathas de Andrade, PE
  • PERIPATÉTICO, Jessica Queiroz, SP
  • TENTEI, Laís Melo, PR
  • TORRE, Nadia Mangolini, SP

No fim de semana de abertura do festival, Nelson Pereira dos Santos, o decano do cinema moderno do país, vai ganhar um tributo lá, numa homenagem a uma obra que nos deu Vidas Secas (1963) e O Amuleto de Ogum (1974), entre outros míticos exercícios de direção.

Fonte: https://omelete.uol.com.br/filmes/entrevista/festival-de-brasilia-tera-abertura-com-nao-devore-meu-coracao-com-caua-reymond/

Posts Relacionados

Comentários no Facebook